
CAPS II
PERS ONAGENS:
Narrador
Professor Honorato ( Marido)
Elisa ( Esposa)
Psiquiatra
01 — NARRADOR — Professor
Honorato, homem de meia idade, casado acha que esta rico com muito dinheiro. Só
pensa em comprar, só fala em gastar com viagens, comprar imóveis, trocar de
carro, sair de férias para outras cidade, emfim se acha um professor bem
sucedido e que ganha muito dinheiro.
(Os personagens entram em cena
cantando a musica me dá um dinheiro ai.
Ficam em suas marcas.)
Quem não conhece o professor Honorato, homem bonito e simpático. Mestre da
matemática, calcula como ninguém, porém não um vintém.
Certo que tudo resolvia, porém uma coisa não entendia. Não encontrava solução
pro professor que tanto sabia. E tomou uma decisão que dá noite pro dia, um
rico
professor seria.
02 — ELISA - Honorato, vê se fica quieto um instante, homem de Deus.
03 — HONORATO — Elisa, Elisa, vê se me deixa em paz.
04 — ELISA — Esse homem não consegue dormir mais, há dias que você não dorme
direito homem.
05 — HONORATO — Não tenho sono, como é que tu quer que eu durma hein,
responde, responde.
06— ELISA — E o pior é que você não deixa ninguém sossegado.
07— HONORATO — Cala essa matraca Elisa, to pensando, to pensando.
08 — ELISA — O, meu Deus, esse homem ontem passou a noite.., liga TV, desliga
TV, liga rádio desliga rádio, acende luz, apaga luz, já não agüento mais. Honorato
anda prá lá, anda prá cá e não se aquieta.
(Elisa tenta conversar com
Honorato.)
09 — NARRADOR — Mas a estória do dinheiro não saiu da sua cabeça, não pensava
em outra cojsa, a não ser no dinheiro e começou a transformar os seus salários
em grandes capitais, com juros e percentagens. Criou grandes margens de lucros,
que tanta imaginação, de tanto calcular pirou.
(Música me dá um dinheiro ai...)
10— ELISA — Honorato, Honorato!
11 — HONORATO — Que queres tu de mim desta vez minha cara Elisa?
12 — ELISA — Você vai acabar perdendo seu emprego de professor. Há dias que
você não vai dá aula.
13 — HONORATO — Pelos meus cálculos esse mês, de acordo com os juros, em
cima do meu salário aplicado no fundão...
14 — ELISA — Que fundão, mais que fundão? Só se for o t...!
15 — HONORATO — Calma Elisa, Ter dinheiro é a solução prá nós. Tudo tá
resolucionado.
16 — ELISA — Você não para de comprar.
17 — HONORATO — Dinheiro é prá essas coisas mesmo.
18 — ELISA — e quem disse, que você tem dinheiro? Você não passa de um
professor.
19 — HONORATO — De acordo com meus cálculos, esse mês temos uma renda
de... sem falar na poupança.
20— ELISA Honorato isso não existe.
21 — HONORATO — Querida Elisa, você não tem do que reclamar, já troquei a
TV, comprei uma máquina de lavar novinha, um vídeo cassete novo, a mobília foi
toda renovada, o que você que mais?
22— ELISA — O Jaime veio ontem, o João antes de ontem, Patrícjo passou aqui
três vezes essa semana.
23 — HONORATO - (Honorato com ciúme) O que esses caras tão querendo, me
conta essa estória direito, sua vadia!
24 — ELISA — Deixe de
besteira Honorato, esses são seus cobradores eles já não
me deixam em paz.
25 — HONORATO — Não dê trela prá esses vigaristas. O que vão pensar
nossos
vizinhos, as crianças o que vão pensar de você? (Sai)
26— ELISA — Eu acho que Honorato tá é com um parafuso frouxo. (Pensativa)
27— HONORATO - (Entra) Arrume logo suas malas.
28 — ELISA — Vai me mandar embora é, Honorato você tá é louco.
29— HONORATO — Não minha cara Elisa vamos tirar umas férias.
30—ELISA—Férias?
31 — HONORATO — Sim já reservei as passagens.
32 — ELISA — Majs as aulas começaram no mês passado Honorato, férias só em
julho.
33 — HONORATO — Quando não podemos? De acordo com meus cálculos, edsse
mês meu salário vai render o suficiente.
34— ELISA — Tú tá é falando de mais, pega tua pasta e vai cuidar de teus alunos
que é melhor vai, vai, vai.
35 — HONORATO — Quer dizer que o meu dinheiro não serve mais pra você Elisa?
36— ELISA — Que dinheiro?
37— HONORATO — Elisa de acordo com meus cálculos, agente vai viver só de
juros.
38 — ELISA (Irônica) Jura é...
39— HONORATO — Já to pensando em comprar a chácara do Dr. Evaldo, aquele
amigo de infância que hoje é médico.
40— ELISA — A gora pirou de vez.
41 — HONORATO — Nosso fusca 72, vou trocar num gol... Não, é melhor... Sabe...
De acordo com meus cálculos...
42 — ELISA — Já não aguento mais, Ter que engolir a mesma coisa todo dia, para
com isso Honorato.
43 — HONORATO — Pois então, vamos almoçar fora hoje.
44— ELISA Até que seria
bom! Honorato, to falando que não dá mais pra engolir
esse teu papo todo dia. Cai na real, não temos dinheiro nenhum.
45 — HONORATO — Não fala besteira, vá chamar as crianças, dinheiro prá
gente
não é problema.
46— ELISA — Eu sei, é solução.
47— HONORATO — De acordo com meus cálculos...
48 — ELISA — Você vai parar na cadeia...
49— HONORATO — Olha aqui vagabunda...
50— ELISA - Não me chame de vagabunda.
51 — HONORATO — Quero te dá o melhor e você vem é com esse desaforo, vocE
a gora vai aprender a me respeitar.
(Honorato agride Elisa, está fora de si.)
52 — ELISA — Você tá ficando louco Honorato, pare, pare, pare.
CENA II
53 — NARRADOR — Honorato perde o controle mais uma vez ela não ver outro jeito
a não enterna-lo. (Alguém diz, que tal o sta Tereza?)
(Outro ator, não, não precisa basta conhecer o trabalho terapêutico do CAPS)
Mas uma coisa que ninguém sabia é que o CAPS já funciona desde 1991 com toda
sua equipe que prometia, fazer um trabalho como ninguém, pois com enfermeiro,
psicológo e psiquiatra o CAPS nesse tempo já existia.
54 — PSIC — Bom dia D. Elisa, como vai o prof’ Honorato?
55 — ELISA — Muito inquieto, quase não dorme.
56 — PSIC — D. Elisa, a senhora vai ter ajuda-lo muito nesse tratamento.
57 — ELISA — Será que vou agüentar, Dr.?
5S — PS1C — Claro, primeiro o prof° Honorato vai Ter que ver o médico como seu
amigo, um aliado.
59 -- ELISA — E só ele melhorar que num que nem ver o médico.
60 — PSIC — Ë mais a família tem que convence-lo
da importância do tratamento.
61 — ELISA — Dr. Sabe o que eu sou obrigada a fazer as vezes, quando ele está
mais agitado? Eu dobro a dosagem daquele remédio aí ele dorme que é uma
beleza.
62 — PSIC — A sra. Jamais deve aumentar ou diminuir a dosagem da medicamento,
sem antes falar com o médico. Isso é muito perigoso.
63—ELISA--E éDr.
64 — PSIC — Claro D. Elisa, só o médico pode incluir ou excluir a medicação da
vida de um paciente. Nunca mais faça isso.
65 — ELISA — Dr. eu não agüento mais, vivo morta de vergonha.
66— PSIC — E por quê? Ele é seu marido.
67— ELISA — Quando ele sai na rua o povo ficam zombando dele; e ai prof’ vai
comprar o que hoje, vai botar o dinheiro em que banco? Olha o prof’ maluco!
Coitado tá dojdinho. Ficou doido de tanto estudar. Dá um dinheiro aí Honorrato?
Esse num tem mais jeito. Prof’3 de acordo com meus cálculos! Ah! Dr. O que é
que
eu faço?
68 — PSIC — O tratamento tem que ser feito.
69— ELISA — Será que tem jeito Dr.?
70 — PSIC — Claro, temos uma equipe de profissionais que acompanhará
71 — ELISA — Tomara Dr.
72 — PSIC — Vamos fazer uma triagem de inícjo, de acordo com as necessidade
terá acompanhamento pelo enfermeiro, assistente social, psicólogo se for
preciso
pelo psiquiatra.
73 — ELISA — Assim fico mais aliviada, só
coisa. Qual é o primeiro passo?
74 — PSIC — Traga-o aqui vamos fazer o que for de melhor.
75 - -ELISA — Claro vou trazer agora mesmo.
76— PSIC — Aqui no CAPS, temos paciente que hoje leva uma vjda normal, são
felizes e já não dão importância ao que dizem na rua.
77— ELISA — Dr. Se ele piorar de vez levo de volta para o hospital.
78 — PSIC — Esqueça isso, não há necessidade de hospitaliza-lo, confie
em nosso trabalho o CAPS vai
ajuda-lo.
CENA III
79 — NARRADOR — Elisa
volta prá casa, convence a Honorato ir ao CAPS, faz o
tratamento direitinho. Deixou o preconceito de lado e leva uma vida normal
ensinando.
80— PSIC — Bom dia prof Honorato, que tem prá me dizer hoje?
81 — HONORATO — De acordo com meus cálculos, ( a mulher olha com áh de
revolta. ) volto para sala de aula na próxima semana.
82 — PSIC — A partir de hoje o medicamento será reduzido.
83 — HONORATO — Que bom Dr., depois que comecei a freqüentar o CAPS sou
outra pessoa.
84— PSJC — O doente mental tem solução.
85 — ELISA — Sem medo de ser feliz.
86 - PSIC — Sem a necessidade de hospitaliza-lo.
87— HONORATO — Sem deixar de tomar a medicação
88 — ELISA — Sem a família ea comunidade abandona-lo.
89 — PSIC — Sem deixar o acompanhamento terapêutico pelo o psiquiatra.
90 — HONORATO — Aí sim, o doente mental poderá ser feliz e levar urna vida
normal.
FIM
CLEODON DE OLIVEIRA.

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